InstagramFacebookTwitterYouTube

Nóis'Y Vendel

Valbert Wendel de Freitas Barros, conhecido como Nóis'Y Vendel (Fortaleza-CE, Brasil, 27 de Dezembro de 1985), é um músico, compositor, baixista e vocalista brasileiro.

Biografia

Recém-chegado na cidade de Juazeiro do Norte, Ceará, entrou para a sua primeira banda aos 12 anos, quando o amigo Pablo Diego, então guitarrista, o ouviu cantando e resolveu chamá-lo para fazer um teste para a banda religiosa da escola. Até então, como vocalista, se apresentava em eventos religiosos dentro da própria escola e missas, pois o repertório era composto basicamente por música gospel. Com o tempo, a banda começou a ensaiar músicas do rock nacional e internacional, e as diversas influências culminaram com sua primeira composição aos 14 anos, a música "triste solidão". Em meados de 2003, fez a gravação de sua primeira demo interpretando as músicas "Carla" do LS Jack e "Rádio Pirata" do RPM.

Em 2006, através do SESC Ceará, foi selecionado pelo gaitista Jefferson Gonçalves e guitarrista Kléber Dias para ser o vocalista de uma banda que estava sendo montada para se apresentar no Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga daquele ano. A experiência no evento mexeu com a performance e versatilidade de Nóis'Y, que a partir daí buscou suas inspirações no blues norte-americano como Buddy Guy, BB King, Robert Johnson, e bandas como Crosby, Stills, Nash and Young, The Who e The Beatles.

Em 2007, gravou seu primeiro single intitulado "Cenário Primata" com a banda Nodivan, composta por Pablo Diego (guitarra), Breno Fernandes (baixo) e Ricardo Brasileiro (bateria). Até então suas composições eram majoritariamente em português. No ano seguinte, fez sua primeira apresentação com a banda para um grande público no Festival Expocrato, a maior feira agropecuária do Norte e Nordeste do Brasil.

Ainda em 2008, aos 22 anos, resolveu comprar seu primeiro baixo elétrico de quatro cordas para "resolver" o problema de rotatividade de baixistas na banda. Depois de alguns meses, quando estava prestes a desistir do instrumento, um dos seus amigos e músico, Ivânio Azevedo, o recomendou ouvir a música "Limelight" da banda canadense Rush. A partir daí, a influência de baixistas como John Entwistle, Chris Squire, Phil Lynott, Paul McCartney, Geddy Lee e Sting foi determinante para as composições não apenas como vocalista, mas agora, também como baixista.

Em 2011, depois de uma pausa na música, resolveu retomar as composições, agora em inglês, com Pablo Diego (guitarra) e Ricardo Brasileiro (bateria), formando o power trio Navidon. A banda fez sua estreia em 2013, no Teatro Sesc Patativa do Assaré, através do evento "Armazém do Som", realizado pelo SESC para promover bandas que estão iniciando sua trajetória. Apresentou-se em eventos culturais como o Rock Cordel, através do Banco do Nordeste, e eventos independentes, um deles realizado por iniciativa própria como o I Ceará Rock Sul, em parceria com o músico Dudé Casado.

Em 2015, a banda participou e ficou em 2o lugar no Equalize, festival de música autoral caririense promovido pelo empresário Antonino Netto. Depois, tocou na Feira da Música 2015, na cidade do Crato-CE. Nesse período, Navidon, Cômodo Marfim, Sereno Ocioso (hoje Madalena Vinil), Lower, Dudé Casado, iniciaram juntos o movimento autoral chamado "Caldeira Cariri".

Em 2016, Navidon lança nas plataformas de streaming seu primeiro EP intitulado "Mindfolded", agora com o baterista Lituan Sanssara. A banda continua suas apresentações em bares locais e eventos culturais, como o Ciclos 2016, promovido também pelo SESC-CE. Ao final de 2017, surge uma proposta para a primeira oportunidade de uma miniturnê pela Europa, em Portugal. Nesse período, já com o novo baterista Hugo Alexandre, Navidon lança o single "Time Machine", em meados de 2018, antes da viagem a Portugal. A banda se apresentou no icônico Tokyo Bar em Lisboa e em Viseu. Na volta, lança o clipe da música "Time Machine" com imagens da viagem e bastidores de gravação no estúdio Magnólia, de Fortaleza-CE.

Já em 2019, com o intuito de experimentar novas abordagens como músico, Nóis'Y resolveu investir no seu projeto solo homônimo Nóis’Y Vendel, onde o desafio seria explorar apenas suas linhas de voz e baixo com efeitos de overdrive e distorção, pianos e teclados sintetizadores e bateria. O artista, que já escrevia suas composições em inglês na banda Navidon, mantém a tradição de compor nesse idioma, visando alcançar um público mais global em nichos não tão populares no Brasil.

Em meados de 2020, lança seu primeiro single chamado "Prelude" e em Setembro do mesmo ano "Solitude", uma versão da icônica música do Black Sabbath. As 2 faixas foram gravadas em casa e pós-produzidas por Matheus Brasil, revelando uma tendência mais intimista e sombria através do estilo Lo-Fi, em alta naquele período.

Com inspirações e influências que vão desde o som do Black Sabbath e Alice Cooper até os filmes e criações de Tim Burton e Danny Elfman, Nóis'Y absorveu o melhor dessas atmosferas para dar vida ao seu primeiro disco. “A Dead One’s Tale” foi lançado em março de 2021 e é um trabalho conceitual, que conta a história controversa de um homem que, depois de passar por diversas dificuldades e ter perdido a esposa, tenta (ou consegue) cometer suicídio num hospital psiquiátrico. As faixas do disco contam sua passagem pelo mundo dos mortos e os diferentes estados de espírito em que ele se encontra quando se depara com seus próprios questionamentos ou com os questionamentos de outras pessoas. Esse projeto visa criar uma atmosfera diferente ao apresentar não apenas um compilado de canções, mas uma estória através de um espetáculo.

Em junho de 2023, com o intuito de inovar e expandir ainda mais sua proposta e identidade artística, resolveu lançar uma versão em inglês de um dos grandes e mais importantes clássicos da música nordestina: "a morte do vaqueiro", do inigualável Luiz Gonzaga, sob o título de "lengo tengo". Diferentemente da versão original, o eu lírico da canção é o próprio vaqueiro contando como é estar no mundo dos mortos naquele momento, ainda processando o que acabou de acontecer. Ainda cultivando elementos da versão do rei como o acordeon, triângulo, ganzá, zabumba, Nóis'Y buscou fazer a ponte entre a original e o seu próprio trabalho com o uso do já conhecido baixo "sujo" de fuzz, distorção, sintetizadores, além da ambiência fantasmagórica provocada pelas vozes sempre presentes em seu trabalho, transformando a versão em algo que provoca uma experiência singular em quem a escuta.

Em Outubro do mesmo ano, um novo trabalho. Na verdade, a continuação da proposta de mistura de rock e metal com o ritmo nordestino: o lançamento oficial do 2o disco, intitulado "Ghost Wagoner's Stories", com 2 faixas: "The Phantom Carriage" e "Waltz of the Sickophants". Referências e imagens de alguns dos principais clássicos do terror do cinema mundial dão vida aos videoclipes deste novo trabalho, tornando a experiência uma verdadeira imersão audiovisual em uma época em que o cinema mudo e essencialmente expressionista, muitas vezes falava bem mais que trilhas sonoras modernas. O single "Lengo Tengo" foi a porta de entrada para o novo trabalho, que despertou o interesse, curiosidade e elogios contundentes da crítica, imprensa e curadores de diversos países, garantindo o lugar em playlists no Brasil e no mundo.

Sobre suas influências, nas palavras de Nóis'Y: "Já escutei de tudo e durante um período não consegui ter uma identidade por conta dessa pluralidade. Poderia compor sobre qualquer coisa mas não conseguia entender a minha arte. Por um lado, levei um bom tempo pra entender como posso contribuir com o mundo da música. Por outro, agradeço demais por isso. Desde a música regional nordestina até o rock internacional, consegui absorver o melhor desses mundos e não poderia haver aprendizado melhor para mim como músico."